José Maria Neves considera que os parlamentares cabo-verdianos podiam ir um pouco mais longe em matéria de revisão da Constituição, para que se colocasse o crioulo em paridade com a língua portuguesa.
A revelação da preocupação de José Maria Neves foi feita em Achada Falcão, no interior do concelho de Santa Catarina, em Santiago, durante um encontro com professores e alunos da escola secundária Armando Napoleão Fernandes.
O Chefe do Governo realçou que o crioulo cabo-verdiano simboliza uma marca identitária fundamental, e que, assim como a portuguesa, representa um património nacional. O primeiro-ministro alertou entretanto que, para além de cumprir a Constituição, deve-se «continuar a desenvolver a língua cabo-verdiana», em todas as suas variantes.
A este propósito, garante que todas as variantes da língua materna são extremamente importantes e úteis para a construção «deste grande património de Cabo Verde», razão pela qual exortou o liceu a honrar o seu patrono, o «grande cultivador da nossa língua» e que deixou o primeiro dicionário da língua cabo-verdiana, considerado pelo primeiro-ministro como um pouco do futuro da língua crioula.
Por outro lado, José Maria Neves chamou a atenção das escolas no sentido de abrirem os olhos aos jovens para que optem por uma escolha inteligente, em vez de seguirem o caminho da delinquência e foi mesmo pragmático ao apelar para que «em vez de liderar um grupo thug, poderá liderar um grupo desportivo, de batuco ou de funaná». |